Os que Sonham...

quinta-feira, 30 de junho de 2011

O pedido.



Irmã,
Estou me recuperando aos poucos.
Não está sendo fácil para eu aceitar o fato de que a morte me aconteceu. Aqui eles não gostam quando eu falo morte, por que não é assim que eles encaram. Quando eu falo “eles”, são as pessoas que cuidam de mim, que me ajudam a aceitar esta nova etapa.
Para todos aqui, a morte é apenas uma passagem para uma nova vida.
Mas mesmo assim eu ainda não consigo aceitar, pois ainda me sinto apegado às coisas da minha vida carnal.
Ah, se eu tivesse escutado os conselhos da nossa mãe, eu não estaria aqui. Eu que sempre achei que ela falava demais, que me perturbava por causa da bebida, hoje vejo que eram apenas “cuidados de mãe”. Se eu estivesse obedecido, talvez eu não tivesse sofrido aquele acidente e minha vida não teria sido interrompida tão cedo. Eu sei que Deus sabe o que faz, ele sabe a hora de cada um de nós, mas é difícil demais ter a vida interrompida assim, eu sei também que eu fui culpado.
Diga a ela que me perdoe por tê-la feito sofrer, por tê-la feito chorar tantas vezes. Peça que ore por mim e pela minha cura aqui. Peça também que tente não sofrer tanto, pois isto me atrapalha a aceitar a minha nova vida. Eu sofro muito também e sinto muita falta de todos.
A Maria está cada vez mais linda com aqueles cachinhos todos arrumadinhos, está cada dia mais esperta.
Como eu gostaria de estar ao lado dela, de cuidar, levá-la para passear como eu fazia. Sofro por não participar do crescimento dela, mas peço que não deixe a minha imagem desaparecer da memória dela. Faça com que ela se lembre sempre do bom pai que fui apesar dos meus defeitos.
Quem não os tem, não é verdade?

Não chore. Cuide de todos.
Paz.
C.


*Esta carta, é apenas uma narrativa de um sonho que eu tive com meu irmão que faleceu em 10 Maio de 2010 (Dia das Mães), num acidente de carro..



"O nosso tempo aqui na terra, só a Deus pertence.
Ele sabe de todas as coisas e tem um propósito para cada um de nós,
ele quem criou a árvore da vida, e nós somos suas folhas. 
E quando uma folhinha cai da árvore, é inevitável o choro e a saudade.
Mas as folhas que caem não estão sem rumo, perdidas ao vento. 
Elas vão ao encontro de Deus, por que é assim com todas as coisas vivas da terra. ”


Nina Linhares


  
Postar um comentário