Os que Sonham...

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Além do desconhecido



O abismo estava ali, diante dela. E não era tão infinito assim. Lá embaixo havia o mar e era o que ela mais amava. Ir ao encontro dele, num simples mergulho, era apenas um detalhe. E ele, a convidava. Suas ondas lambiam as pedras e formavam espumas, eram como nuvens.
Ela, despida de todos os sentimentos, corpo e alma nus, prontos para o salto.
Uma voz que vinha lá do fundo, dizia.
“Não salte, o abismo é traiçoeiro, e o mar faz promessas que não pode cumprir. Eles não são capazes de aliviar as dores da alma.”
Mas ela não queria escutar. Estava fascinada. Queria saber o que havia além. Afinal, o que havia no desconhecido?
Ela queria saber e não hesitou em saltar. A queda foi rápida, não teve como contar o tempo e a vida, que até ali, era tão insignificante, tão pequena diante do mar, passou como um filme em sua mente.
Ela não tinha asas, não podia voltar. E o filme terminaria ali, naquele abismo.
Sentiu a água gelada, eram como mil facas afiadas atravessando seu corpo. Sentiu dor, a água encheu seus pulmões, tomou conta de seu corpo e tudo escureceu. Ela entrara no desconhecido.
Era o seu fim?
Do corpo sim, mas a sua alma pairava e assistia aquele corpo agonizar.
“Pobre menina”.
Aquele era mais um corpo que o abismo do querer tragou na busca do desconhecido, onde quase todos se perdem.



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