Os que Sonham...

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

O Bilhete



Naquela tarde fria, recostei-me no parapeito da varanda. 
Ao fundo, uma paisagem cinza de um dia chuvoso. Havia em meu íntimo um sentimento bom. Estar ali, na antiga casa da fazenda, trazia-me velhas lembranças. E uma grande nostalgia tomou conta de mim.
O velho livro que achara na estante. Não sei por que, chamou minha atenção e curiosa, comecei a folheá-lo. Havia nele, belas poesias e em algumas delas havia anotações escritas com uma bela letra miúda, para que coubessem todos os sentimentos que estavam sendo vividos.
Foi então que encontrei um bilhete no meio do livro que dizia...

“Já se fora o meu amor e junto levou-me o coração. Deixou aqui para atormentar-me a dor e a solidão.
O amor e a saudade que sinto, corre em minhas veias e dói-me tanto que tenho vontade de cortar os pulsos e vê-los jorrar como se isso pudesse aliviar o meu peito. Você, meu amor, está impregnado em mim e nada pode tirá-lo... Poderei sangrar até a morte, e mesmo assim você estará aqui dentro do meu coração, fazendo parte da minha alma.”

Aquelas palavras me emocionaram... Tão profundas... Tão tristes.
Era um grito silencioso.
Notei que na página onde estava o bilhete, havia pequenas manchas desbotadas pelo tempo, que pareciam ser sangue. E ainda havia escrito no bilhete...

“A dor que sinto dói-me o peito, como quando se crava um punhal.”

E pude então perceber que aquelas teriam sido as últimas palavras de quem preferiu a morte a viver sem o seu amor.
Fiquei imaginando quem poderia ter sido aquela pessoa, e percebi que a biblioteca da fazenda guardava um grande segredo.


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