Os que Sonham...

terça-feira, 6 de setembro de 2011

A Moça do Vestido carmim.



Já era quase noite e ele ainda não havia aparecido.
Ela, o esperava todo dia sentada naquela pedra gasta pelo tempo.
Na lápide envelhecida havia a foto de uma senhora e ele sempre a chamava de mãe e chorava baixinho.

E Ela, a moça de vestido Carmim, observava-o penalizada.
Anos a fio ela assistia aquela cena. Ele ainda era um “rapazote” quando visitou o túmulo pela primeira vez.
E a moça, encantou-se com aqueles olhos azuis, os cabelos cor de mel, encaracolados... Parecia um anjo.
Ela sentava-se ao lado dele, tocava sua mão e sussurrava.
“Não chore, ela está bem e disse que te ama tanto... Ela não quer vê-lo sofrer.”

Mas ele não dava a mínima e debruçava-se sobre o túmulo e adormecia.
E a moça acariciava-lhe os cabelos macios.

Mas hoje, a noite caiu e ele não apareceu. Passaram dias... E nada do anjo voltar. E a moça vivia a se perguntar o que teria acontecido para ele ter deixado de vir visitar o túmulo da mãe tão querida?

Num belo dia, daqueles em que a brisa brinca com as folhas levantando-as e o céu está vestido de um azul tão limpo, ele apareceu trazendo consigo lindas rosas. E a moça, sentada na pedra, estava distraída com uma pequena flor, “roubada” do túmulo ao lado, o viu ajeitar as flores perto da imagem da senhora. Ele estava lindo, e num sorriso, o qual a moça do vestido carmim ainda não conhecia, contou a novidade para a mãe.
“Conheci uma linda moça e iremos nos casar em breve.”

A moça, do vestido carmim, levantou-se num pulo e chorosa começou a dizer.

“Não. Isto não pode acontecer. O que será de mim sem você? Espero-te todos os dias aqui, sentada nesta pedra e se você se casar, não voltará mais e eu não poderei mais enxugar as tuas lágrimas, afagar teus cabelos.”

Mas ele não a escutava, O mundo entre eles era a Vida e a Morte. Ele tinha a Vida e ela a Morte, e com ela a moça não podia lutar.

Ele ajeitou as Rosas, tirou uma, e colocou sobre o túmulo ao lado. Na lápide havia a foto de uma linda moça, de cabelos loiros. Por um momento, ela pareceu tão íntima dele. Deixou a Rosa  e foi embora.

A moça chorou... Acariciou as pétalas, deitou-se e colocou Rosa sobre seu peito. 
Ela Seria a única lembrança que teria dele, e seria eterna.


E todos que visitam o túmulo ficam admirados ao ver ao lado da imagem  da moça com vestido Carmim , a Rosa  que nunca seca.


Projeto Suas palavras.
 21ª edição Imagem
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