Os que Sonham...

quarta-feira, 27 de julho de 2011

O Reencontro.


Lara atravessou a rua apressada, teria que correr para não chegar atrasada ao trabalho que ficava umas duas quadras dali. Ela ainda não havia se acostumado à correria da cidade grande, pois sempre viveu no interior e lá tudo era muito mais fácil. Mas quando ela e Sandro decidiram morar juntos, não teve outra escolha senão enfrentar o novo ritmo. Ele tinha um ótimo trabalho numa empresa de exportação e ela conseguira num escritório de arquitetura. Ambos estavam tendo uma vida agitada, mas estavam felizes com os resultados.
Andava apressadamente pela calçada quando ouviu uma voz chamá-la.
“Mas como? Ninguém me conhece por aqui”. Pensou. Deu de ombros e continuou o seu caminho. Escutou novamente a voz, desta vez mais próxima e nem precisou olhar para trás, logo reconheceu aquela voz masculina e Lara tremeu.
Ela  não estava acreditando, após dois anos sem vê-lo, Marcos estava ali parado à sua frente. Com aquele mesmo sorriso largo de sempre. Meio zonza Lara emudeceu, e conseguiu apenas dizer um “OI”, o qual não teve certeza se falou mesmo, ou só pensou. Saiu assim, entre os dentes.
Foi Marcos quem quebrou o gelo.
-Quanto tempo! ... Quando a vi atravessando a rua, não acreditei. Nunca imaginei encontrá-la por aqui. Disse Marcos todo sorridente.
E Lara quis que o chão se abrisse sob ela e só conseguiu responder.
- É muita coincidência mesmo. Uma cidade tão grande.
- É... Mas o destino sempre se encarrega de cruzar os caminhos das pessoas. Retrucou Marcos, com aquele ar autoconfiante que já irritou Lara tantas vezes.
Nervosa Lara começou a andar e disse.
- Pois é, mas não podemos falar em destino agora, estou com pressa, tenho um compromisso e preciso correr. Não quis falar do trabalho ali perto.
Marcos segurou- a pelo braço e insistiu.
- Poxa! Calma. ...Vamos conversar, afinal faz tanto tempo. Depois daquele dia que você saiu da minha casa toda cheia de razão, acabando nosso relacionamento, você nunca mais atendeu minhas ligações, respondeu emails. Sumiu. Não me deu nenhuma oportunidade para me redimir. Acertar meus erros.
Todas aquelas lembranças voltaram à mente de Lara, e tudo que ela havia enterrado, estava vindo à tona. "Acertar erros?" Pensou. "Quantas chances ela havia lhe dado?" ...Perdeu as contas. Sentiu que iria chorar, respirou fundo e disse, tentando ser firme.
- Marcos, o tempo passou. Não quero falar sobre nós. Hoje tenho uma nova vida, tenho outra pessoa e estou muito bem. Agora, me dê licença que eu preciso ir.
Saiu correndo, sem olhar para trás. Virou a esquina, entrou numa galeria ali perto, encontrou um banheiro, onde se escondeu imediatamente, trancou a porta e chorou.
Isso não poderia estar acontecendo, parecia um pesadelo. Aquele reencontro trouxe toda mágoa que sentia. E descobriu o que mais temia. Que ainda amava Marcos. Naquele momento, Lara sofreu uma explosão de sentimentos. Todos abafados pelo tempo, mas ela não abriria espaço para nenhum deles, estava com Sandro e ele era perfeito para ela. Carinhoso, educado, fazia tudo por ela. Tudo o que Marcos nunca fez. Ela estava feliz.

Enxugou as lágrimas, retocou a maquiagem e saiu do banheiro. Olhou em volta, mas não o viu e esperava nunca mais vê-lo. Não queria vivenciar tudo aquilo.

Chegou ao trabalho atrasada, mal conseguiu se concentrar. Sofia , sua companheira de sala, perguntou o que havia acontecido. Lara desconversou e ficou calada o dia todo. O dia se arrastou e ela não via a hora de voltar para casa e se jogar nos braços de Sandro. O seu protetor. Esquecer o pesadelo daquele dia. Não sabia se iria conseguir esconder a sua angústia, mas tentaria, pelo menos durante uns dias, Depois iria passar, o tempo se encarregaria disso. Ele sempre estanca as cicatrizes.


Projeto Bloínquês
76ª edição conto/história
 (continua)
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