Os que Sonham...

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Do meu telhado.



A vida vista daqui de cima parece ser mais fácil.
Sinto - me grande e protegida de todas as maldades e não me importa se o dia está cinza, chorando algumas poucas lágrimas; ou se está vestido de azul com fios de ouro bordados pelo sol.
Daqui, posso ver a fragilidade das pessoas escondidas em sua gaiola imaginária.
Avisto ao longe, numa praça, crianças brincando despreocupadas, aproveitando os últimos anos de inocência.
Numa casa ali, outra aqui, assisto casais que brigam defendendo suas diferenças, romances apaixonados ou até mesmo proibidos.
Daqui de cima, o mundo à minha volta perde a privacidade, e todos que estão em sua gaiola mostram a verdadeira face.
Bisbilhotices à parte. Daqui do meu telhado, revivo o passado, revejo meus erros e sonho o futuro.
Escrevo meus versos, conto para as estrelas sobre meus medos e para a lua sobre minhas paixões impossíveis.
Choro as mágoas, decepções... E ninguém me dá conselhos que nunca irei seguir.
Aqui, na minha solidão de propósito, eu me encontro, provoco desencontros das coisas que não podem ser.
O meu telhado, que não é de vidro, faz com que eu tenha a lucidez da minha realidade, mas não me deixa perder a mania de sonhar.

• 88ª Edição Visual
Bloínquês
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