Os que Sonham...

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Só uma dose?



- Moço, me dá uma dose de desapego? Dose dupla, por favor!

Estou precisando “deslargar” das coisas que não me convém e, principalmente das coisas que não me fazem bem.
Eu sei. Tenho gênio de cão. Mas meu coração é de Maria mole, e tudo vira meu xodó.
Não tem àquela calça jeans “supermegavelha”? Então... Não consigo jogá-la fora. Já tentei tantas vezes, mas ela faz parte de tantos momentos que já vivi.
Ah, se ela falasse!
Mas ela fala, e toda vez que tento desapegar - me, ela me diz...
- Você vai ter coragem?
- Não, eu não tenho. Eu não seria capaz de jogar tantas lembranças fora.
- Mas moço. “Ele", eu tive coragem!
Sabe por quê? Ele não chega nem “nas barras” da minha velha calça que, aliás, já estão bem desfiadas.
Ele, é como erva daninha retirada de um jardim com lindas flores.
Ah... Isto sim, é algo que ninguém tem pena de arrancar.
- Moço, ele foi o meu melhor desapego. Tão fácil de decidir!
Nem foi preciso arrancar o meu coração, já acostumado viver fora do peito, ou vivendo apertado, sem um mínimo de conforto.
Cansei de esperar, cansei de ficar exigindo um pouco de atenção. Migalhas? Para quê? Eu não preciso.
Não me senti só quando peguei a estrada, afinal eu já estava acostumada a ser sozinha. Ele nunca estava quando eu precisava.
Por isso, na mala, eu carrego apenas a coragem, minha velha calça e nada mais que me lembre dele. Sigo meu caminho, eu assumo esta escolha, assumo a dor que sempre tive, mas que só agora admito.
Vou seguir meu caminho por aí... Começo agora a ser livre!
- Moço, quanto custa a garrafa de desapego? Vou levar, assim vou tomando uns goles pelo caminho.
– Ah, a ressaca? Esquenta não.
Ressaca é igual amor... Só se cura com outro.


Postar um comentário